quarta-feira, 25 de julho de 2007

Do PSD profundo with love

O facto de existir uma deputada, no parlamento regional da Madeira, que vem defender que uma lei da República não deve ter aplicabilidade na região autónoma, sendo esta senhora jurista, já é muito grave. Mas o pior é o facto da Rafaela Fernandes ser uma jovem que afirma, em pleno século XXI, que "a função das mulheres é a da procriação".
Infelizmente este é o verdadeiro PSD profundo. Um partido claramente de direita, muitas vezes mais extremista que o CDS/PP, que continua a ter muitos militantes assumidamente beatos e tradicionalistas, que escolhem para deputada uma senhora, jovem por ventura, que se orgulha de afirmar que as mulheres servem é para darem à luz.
Espero que os órgãos nacionais da JSD e do PSD se dignem a moverem um processo disciplinar à dita senhora, era o mínimo aceitável.

Recomendação

Se Manuel Alegre diz que há mais vida para além dos partidos, então por favor abandone o cargo de deputado que conseguiu fazendo parte de uma lista do PS e aventure-se pelo fabuloso mundo dos independentes, qual Fontão de Carvalho solto no país das maravilhas.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Sem querer fazer analogias

"Teoria é quando se sabe tudo e nada funciona. Prática é quando tudo funciona e ninguém sabe o porquê. Nesta universidade, conjugam-se teoria e prática: nada funciona e ninguém sabe o porquê."
Cartaz colocado numa universidade no Nepal

Apoio à natalidade

No próximo dia 1 de Setembro, as grávidas portuguesas já vão poder receber, pela primeira vez, um subsídio que será dado a partir do quarto mês de gravidez e se chamará “abono pré-natal”. Perante o estado de envelhecimento da população portuguesa, esta medida é histórica e só peca por ser tardia.

No entanto, existe por aí muita direita que tem vindo constantemente a público críticar a esta nova política de incentivos à natalidade. Os liberais atacam o governo porque compreendem que o estado não deve interferir nestas coisas, embora a maioria deles tenha andado a fazer campanha pelo não no referendo do aborto – não compreendo este liberalismo de catequese.

Contudo o maior dos argumentos contra esta lei, continua a ser a questão dos subsídios serem insuficientes, sendo que muita gente veio afirmar que os subsídios não vão ultrapassar os 32 euros mensais – o que é mentira. No escalão mais baixo dos benefíciados por este apoio o subsído será de 130 euros mensais, estima-se portanto que que 60% das mães que dão à luz anualmente cerca de 100 mil bebés, deverão ser beneficiadas com prestações mensais acima dos 100 euros.

No escalão mais baixo da nossa sociedade uma mãe, até ao final do primeiro ano de vida do bebé, poderá receber até 2351 euros do estado. Numa lógica de estado social sustentável, as famílias com rendimentos brutos superiores a 1989 euros não serão benefíciadas por estes subsídios.

Outra medida de apoio à natalidade englobada neste pacote legislativo, é o abono de família que se vai multiplicando de acordo com o número de filhos. Ou seja, o valor do abono duplica com a chegada do segundo filho e triplica com a chegada do terceiro, isto até aos três anos, inclusive.

Todos desejariamos, com certeza, que o apoio fosse ainda maior. No entanto parece-me que já temos aqui uma grande evolução. O governo está de parabéns.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Pegar o touro pelos cornos

Moita Flores afirmou hoje não ser recandidato à autarquia de Santarém.

Homem do Norte

Menezes afinal é mesmo candidato à liderança do PSD. Mostrou ser um político com fibra e mesmo perante as regras impostas pelo adversário vai avançar para a liderança do maior partido da oposição. Pode não ser da minha cor política, posso não perfilhar das suas ideias, mas mostrou a fibra de um homem do norte - que também sou. Parabéns.

Falta de liderança no CDS? (primeira sondagem do blog)








Está nas vossas mãos escolher qual será o melhor líder para salvar o CDS/PP da crise. Participem!

domingo, 22 de julho de 2007

Não há nada melhor que um aeroporto dentro da cidade

O pretenciosismo da direita

No PSD os dirigentes acham-se todos tão bons, que só avançam para uma eleição se tiverem a certeza que a vão ganhar. Já no CDS a ala de Ribeiro e Castro vem afirmar que não vale a pena mudar o rumo do partido, porque 70% do aparelho prefere não ter nenhum vereador em Lisboa. Mas o que é que vai na cabeça destes rapazes?

O adeus de Monteiro

Manuel Monteiro apresentou, este fim-de-semana, a sua demissão da presidência do Partido Nova Democracia. No seguimento do que já tinham sido as suas declarações sobre os resultados nas intercalares, foi coerente e soube retirar-se da ribalta política. Teve a coragem de abandonar a liderança do partido que o próprio criou, ao contrário de Paulo Portas que se mantem à frente do CDS, assistindo ao seu lento e progressivo fim, sem em momento algum repensar a estratégia que adoptou após o último congresso do partido.
O PND tem agora que encontrar o seu espaço político na direita portuguesa, renovar o rosto da sua liderança e não ser uma espécie de MRPP da direita. Um partido só tem sucesso quando se lhe conhecem vários dirigentes, um movimento político só funciona quando tem vários rostos para diferentes áreas e se o PND continuar agarrado à figura de Manuel Monteiro, terá que ser feito o paralelismo com Garcia Pereira e o MRPP.

Tricas do passado

Jorge Ferreira

Titanic Laranja (2)

Como alguém disse um dia sobre os partidos:

"Os nossos inímigos estão cá dentro, os nossos adversários estão lá fora".

Titanic laranja

Mendes avança para ficar tudo na mesma, Aguiar Branco não teve apoios para avançar, Menezes só sabe se avança amanhã, Morais Sarmento diz que é muito cedo para avançar, Júdice diz que o CDS e o PSD se deviam fundir, Rui Rio prefere ficar como querido líder nortenho e Santana Lopes diz-se que anda a preparar das suas. Quando todos deixarem de olhar para o umbígo talvez já seja tarde de mais.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

É óbvio

Manuel Monteiro afirmou ontem ao Público:




Eu havia feito esta reflexão no dia 16:

Hipers abertos ao domingo à tarde

Ao que parece em Setembro será discutida na A.R. a abertura dos hipermercados ao domingo à tarde e feriados. Quando fui líder da JS de São João da Madeira e membro do secretariado do PS, fui contra a instalação de uma nova grande suprefície comercial da SONAE no concelho, por achar que as autarquias têm o dever de proteger o comércio local. Nessa altura comprei uma guerra com a vereação do PS na Câmara Municipal e acabei por ver a maioria dos cidadãos do meu concelho darem uma nova maioria absoluta ao PSD e defenderem a instalação do dito centro comercial, que dentro em breve deve entrar em funcionamento.
Como socialista mantenho a minha convicção de que o poder político deve defender o comércio tradicional e como tal sou contra a abertura dos "hipers" ao domingo à tarde. Tal medida, a ser aplicada, irá contribuir para uma maior decadência do comércio tradicional. É o princípio do fim.

Esta coisa do Saramago...

Também eu concordo com todos aqueles que vieram atacar José Saramago por aquilo que disse, sobre o facto de Portugal estar condenado a ser anexado por Espanha. Muito pessoalmente considero esta opinião para além de pouco inteligente, a prova de que o escritor ou não conhece, ou simplesmente não valoriza a história do nosso país. É por haver opiniões como esta que, ano após ano, festejo datas como o 1º de Dezembro e o 5 de Outubro - não o do século XX, mas o de 1143.
Agora o facto da direita dita líberal vir atacar o escritor, utilizando para isso o facto do mesmo ter ganho um prémio nóbel e questionando constantemente a sua qualidade artística, é no mínimo de mau gosto. Tal como me orgulho da história, identidade e soberania do nosso Portugal, também me orgulho de termos tido um prémio nóbel da literatura - espero bem que o Lobo Antunes também consiga um e que o Hélder Amaral receba o prémio nóbel da paz, pelas suas prestações pugilisticas nos conselhos nacionais do CDS.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Que futuro CDS?

O CDS/PP vive aquela que é, na minha opinião, a sua maior crise desde a fundação do partido. Quem estiver interessado em analisar a decadência desta força política, não pode partir para esta reflexão baseando-se apenas no passado recente do mesmo. É certo, no entanto, que deve haver uma leitura nacional e partidária daqueles que foram os piores resultados do CDS quer na Madeira, quer em Lisboa, sem esquecermos que os mesmos foram atingidos logo após o regresso de Paulo Portas à liderança.
Existe um grande problema inerente à existência do CDS e ao contrário do que muitos querem fazer transparecer, não se trata de uma questão meramente de liderança, bem pelo contrário, este assunto é iminentemente ideológico. Neste momento os centristas vivem num clima de ambiguídade ideológica, que óbviamente se torna insuportável numa estrutura tão pequena. Durante muitos anos vimos conviverem lado a lado militantes centristas como Diogo Freitas do Amaral, militantes liberais como Pires de Lima, democrátas-cristãos como Narana Coissoiró e uns tantos militantes convictos de direita com tiques salazaristas. Na nova política do século XXI um partido pequeno como o CDS não consegue, nem conseguirá, sobreviver se continuar nesta indefinição ideológica, quanto mais não seja porque em vários momentos haverão dirigentes e militantes que irão bater com a porta, exemplos disso são Freitas do Amaral, Manuel Monteiro e Maria José Nogueira Pinto.
Ao que me parece, Paulo Portas quer um partido líberal de centro-direita, que ganhe a longo prazo o seu espaço político próprio, mas que por agora vá dividindo o eleitorado com o PSD. O melhor termo de comparação possível com esta estratégia é, na minha óptica, o modelo dos partido liberais escandinavos. No entanto esta comparação, ainda que próxima, não é real - não é porque nos países nórdicos existem verdadeiros partidos liberais, quer do ponto de vista da economia, quer do ponto de vista dos costumes. Se o CDS decidir inverdar por esta via, sabe que automáticamente perderá o seu eleitorado base, que lhe permite ser neste momento o partido mais pequeno dos grandes, em vez do maior partido dos pequenos.
Para que os resultados eleitorais voltem a sorrir ao CDS é preciso uma definição clara de qual é o seu espaço político, de qual é o modelo ideológico que defende para Portugal. Não é possível a este partido querer ser a força líberal do nosso país e ao mesmo tempo continuar a defender a doutrina social da igreja católica. Antes de Paulo Portas regressar ao CDS com essa ideia peregrina, já Manuel Monteiro o havia tentado no PND - os resultados eleitorais são bem visíveis nos dois casos.