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quarta-feira, 28 de março de 2007

Noites em que o sono não vem, com a cabeça a pesar, um homem sofre só por pensar que a vida é um eterno sonhar. São estas mesmas noites que me fazem procurar o livro das canções de Jacques Brel, "O grande Belga", roubado ao meu pai faz anos:
Après mon dernier repas
Je veux que l'on s'en aille
Qu'on finisse ripaille
Ailleurs que sous mon toir
Après mon dernier repas
Je veux que l'on m'installe
Assi seul comme un roi
Accueillant ses vestables
Dans ma pipe je brûlerai
Mes souvenirs d'enfance
Mes rêves inachéves
Mes restes d'espérance
Et je ne garderai
Pour habiller mon âme
Que l'idée d'un rosier
Et qu'un prénom de femme
Puis de regarerai
Le haut de ma colline
Qui danse qui se devine
Qui finit par sombrer
Et dans l'odeur des fleurs
Qui bientôt s'eteindra
Je sais que j'aurai peur
Une dernière fois

Hoje foi um dia de cultura, o grande dia do Teatro, tão pouco festejado por todo o país. Mas hoje não falo de teatro mas sim poesia. Melhor que descrever estas rimas é sentir a sua vibração, numa noite solitária como esta:
A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constrói-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num jardim,
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim...
Florbela Espanca - Bibloteca ULISSEIA
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Já agora Music & Lyrics um filme que me marcou, ainda em exibição: